O Boticário pisou na bola?

Abril 30, 2008 at 1:59 pm | In Uncategorized |
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Este post coloca uma questão sobre o vídeo da campanha de O Boticário para o dia das mães de 2008.

Bem, minha visão sobre a atividade empresarial não é das mais positivas. Parafraseando Michael Moore, não que eu considere as empresas como um mal para a sociedade. Acho que uma discussão deste tipo cairia em uma espécie de dilema tostines. Mas, de fato, se a atividade corporativa traz soluções traz tantos ou mais problemas complexos com suas ações.

O Boticário é uma empresa cuja imagem está relacionada ao ideal de Responsabilidade Sócio-Ambiental Empresarial. “Filosofia” contemporânea que possui uma variedade de defensores e também de críticos.

Juntamente com uma colega estudante de pós-graduação apresentamos no artigo Responsabilidade social enquanto estratégia: questão de superação da prática crematística uma concepção deste universo no que tange à associação com estratégias empresariais. Este é basicamente meu posicionamento.

Denise, minha esposa e pessoa que compartilha comigo muitas das percepções quanto ao consumismo e a sociedade contemporânea, falou-me ontem sobre sua visão do comercial que está sendo veiculado para a campanha do dia das mães de O Boticário. Uma visão bastante negativa e de percepção de uma inversão de valores. Antes de criticar fui ver o comercial e realmente percebi que há margens para o tipo de visão apresentado por Denise. Porém, vejo que o filme também traz boas respostas às possíveis críticas.

É claro que não passa pela cabeça da maioria das pessoas que haja qualquer coisa de negativo neste comercial. Mas, na minha percepção, O Boticário chegou incrivelmente perto de uma possível “queimação de filme” apresentando uma suposta disputa entre dois irmãos pelo melhor presente para a mamãe.

Considero que a coisa só não desandou de vez porque o elemento “vencedor”, para o irmão menor que dá o lenço de presente, está de certa forma insinuado. Mesmo assim, é o presente de O Boticário que emociona. Complicado?

Veja o vídeo.

2 Comentários »

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  1. Olá Orlando,

    Bem, como eu trabalhei anos numa franquia de O Boticário, saindo de lá apenas há pouquíssimo tempo, conheço bem a filosofia de responsabilidade sócio-ambiental da empresa para dizer que eles levam muito a sério tudo isso. Mas, em se tratando de uma empresa comercial, o lucro é algo bastante explícito, muitas vezes se sobrepondo a outros interesses.

    Mudado de empresa e de comercial, mas não de temática, observei que uma das operadoras de telefonia celular, em seu comercial para o Dia das Mães, faz o mesmo tipo de insinuação.

    Nele, alguns avatares simbolizam uma mãe e quatro filhos. Um dos filhinhos-avatares faz uma transformação num ramalhete de flores e o avatar-mãe reage com a transformação de alguns coraçõezinhos. Outro se tranforma num bombom de chocolate e a mãe aumenta a quantidade de corações. Finalmente, um terceiro se transforma numa espécie de celular tocando e a mãe se transforma completamente em corações, insinuando que o melhor presente é o celular.

    Se o comercial de O Boticário é negativo nesse sentido, o que dizer do da operadora de celular? Creio que o consumismo faz escola e não possui limites éticos. A mensagem subliminar em nossos filhos é obvia.

    Comentário de Marcos Bezerra — Maio 1, 2008 #

  2. Pois é Marcos, o lucro talvez não seja o problema. O que falta é nossa habilidade em lidar com as artimanhas do consumismo. A necessidade de indução do consumo faz com essas empresas se distanciem de uma prática saudável para a humanidade.

    Valeu mesmo por estar transformando meu monólogo num diálogo.
    Abração.

    Comentário de Orlando — Maio 2, 2008 #

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